| Designa-se por gestação ou gravidez o período que vai desde a fecundação do óvulo pelo espermatozóide até ao momento do parto. Inclui todos os processos fisiológicos do crescimento e desenvolvimento do feto no interior do útero materno, bem como as transformações fisiológicas, metabólicas e morfológicas mais importantes, que ocorrem na mulher com o objectivo de proteger, nutrir e ajudar no desenvolvimento do feto.. A gravidez implica um aumento do consumo de energia para a mãe, pelo que o aporte energético também deve aumentar. Organismos internacionais recomendam um consumo energético extra entre as 200 e as 300 Kcal/dia desde o primeiro trimestre. A restrição energética condiciona uma maior susceptibilidade da cetose, que já por si aumenta durante a gravidez. Os corpos cetónicos atravessam a barreira da placenta e, se for em excesso, podem ocasionar lesões neurológicas no feto. Actualmente, sabe-se que as mulheres grávidas representam um grupo com elevados índices de insuficiência de micronutrientes que necessitam de complementos específicos. Alguns exemplos de carência: Mais de uma em cada cinco mulheres grávidas apresenta um aporte insuficiente de zinco, que representa um risco elevado de contrair infecções, problemas de cicatrização e de crescimento. 50% das mulheres grávidas apresentam um défice de aporte de biotina (vitamina B8) , que implica um aumento de anomalias fatais do tubo neural (espinha bífida). Uma em cada três mulheres grávidas tem um aporte insuficiente de ácido fólico, que aumenta o risco do aparecimento de anomalias morfológicas fetais (espinha bífida, ânus não perfurado, lábio leporino...). A nutrição na gravidez: Proteínas: Deve-se ingerir entre 6 a 10 g de proteínas diárias. Lípidos: Durante a gravidez é importante o consumo de lípidos, para alcançar as reservas necessárias de gordura no organismo da grávida durante o primeiro trimestre e, posteriormente, para o crescimento de novos tecidos. Óleo de peixe omega 3: A suplementação de micronutrientes durante a gravidez está bem documentada no que se refere aos ácidos gordos polinsaturados da série ómega 3, em especial o ácido docosahexaenoico (DHA), do qual a OMS recomenda a sua ingestão diária de 200-300 mg. Minerais: Zinco: A ausência de zinco durante a gravidez (que acontece em 60% das mulheres) origina uma diminuição na produção de anticorpos e na proliferação de linfócitos no feto o que poderá levar a um aumento do risco de infecção e de aborto espontâneo. Em alguns estudos, nos quais as grávidas ingeriram zinco no início da gravidez, verificou-se uma acentuada redução de abortos espontâneos e risco de parto prematuro. Ferro: Diferentes estudos demonstraram que a ausência do suplemento de ferro durante a gravidez aumenta até 11 vezes o risco de anemia na mulher grávida. A suplementação é muito importante, já que a maioria das grávidas não tem na sua alimentação ferro suficiente. Esta suplementação, em conjunto com o ácido fólico, reduz o risco de a criança desenvolver uma leucemia linfoblástica. A suplementação de ferro é também muito importante para assegurar um parto seguro e um recém-nascido com um peso adequado. Vitaminas:  Vitamina E: O seu aporte permite prevenir, durante a gestação, a ocorrência de excesso de stress oxidativo considerado como uma das causas de rotura prematura das membranas. Biotina (vitamina B8): Esta vitamina está presente principalmente nas células em fase de proliferação. O seu défice (presente em 50% das mulheres grávidas) manifesta-se através de uma redução de enzimas indispensáveis no metabolismo lipídico, especialmente dos ácidos gordos polinsaturados. Vitamina B1: É particularmente importante em mulheres grávidas com intolerância à glicose (diabetes gestacionais). Nestes casos a sua suplementação melhora o metabolismo da glicose e do crescimento uterino. Ácido fólico ou vitamina B9: É importante antes e durante a gravidez para prevenir malformações do tubo-neural no feto, como espinha bífida. | |